TPDs E CDs, Parceria de Sucesso
O relacionamento entre cirurgiões-dentistas e técnicos em prótese dentária evoluiu bastante. Na década de 70, a convivência entre as duas categorias, embora dependentes uma da outra, não era muito próxima. Além disso, os TPDs tinham acesso limitado a eventos e atividades de educação continuada e por conseguinte utilizavam técnicas rudimentares na confecção das próteses. O conhecimento era transmitido entre colegas de bancada ou em encontros informais de profissionais de diferentes laboratórios.
Para dificultar ainda mais o campo de atuação, os equipamentos e materiais com nível de qualidade mais alto eram todos importados. “Para se ter uma idéia da dificuldade, fundíamos as peças com a famosa máquina Giramundo com baldinho, o maçarico era um gerador a pedal com fole e o combustível, gasolina”, lembra Francisco Joel Calgaro, um dos mais renomados técnicos em prótese dentaria do Brasil. Ele começou sua carreira há mais de 30 anos na Região Sul e hoje, em sociedade com o irmão Vitaci Calgaro, possui um laboratório em Curitiba (PR) e uma filial em Salvador (BA).
Atualmente, ele assiste a uma realidade bastante diferente. Os TPDs capacitados têm acesso facilitado aos mais modernos equipamentos, materiais e técnicas, como os sistemas CAD/CAM, que permitem a digitalização para confecção de pilares em titânio, copings em alumina e zircônia, por exemplo. E o relacionamento com os cirurgiões-dentistas melhorou, até em função da própria evolução do mercado. A busca pela perfeição e excelência nos serviços e atendimento aproximou as duas categorias.
O público de hoje é mais informado e pressiona muito mais os cirurgiões-dentistas por resultados estéticos cada vez melhores. Os consultórios, por sua vez, exigem soluções mais aprimoradas dos técnicos em prótese dentária, principalmente dos familiarizados com cerâmica. “Isso transforma os laboratórios em verdadeiros parceiros dos cirurgiões-dentistas”, explica Calgaro.
Segundo ele, a participação de ambos no planejamento dos casos confere cumplicidade entre as partes. E para que o relacionamento seja saudável, as opiniões têm de ser respeitadas.
Calgaro entende que, para valorizar o oficio de TPD e formar “verdadeiros técnicos”, seria necessário reduzir significativamente o número de escolas de prótese. Para ele, muitos desses estabelecimentos não contam com estrutura e professores gabaritados para funcionarem. Calgaro também tem restrições quanto à duração do curso. Em sua opinião, a duração mínima deveria se de três anos. O técnico afirma que cursos precários formam apenas “simples auxiliares”, que terão dificuldade para conseguir até estágio em laboratórios.
JABO- Ano XXIII – Número 104 – Nov/Dez – 2006



