Mercado Disputado
Fonte: CFO
Segundo o Secretário-Geral do Conselho Federal de Odontologia, Eros Petrelli, em artigo publicado no periódico editado por aquele órgão (edição de julho/99), "o mercado de trabalho está regulado pelo binômio oferta e procura. O ideal é que haja equilíbrio entre os dois.
A odontologia apresenta uma grande discrepância, com preponderância para a oferta de profissionais no mercado. Este fato promove uma alteração profunda no exercício profissional". Eros Petrelli dá a sua versão para os baixos níveis de remuneração dos dentistas:"Em primeiro lugar, destacamos a abertura indiscriminada, com intenções mercantilistas ou políticas, de novos cursos de odontologia. Nunca leva-se em conta a necessidade social desses cursos.
Para se Ter uma idéia, em dezembro de 1996, existiam 90 cursos de odontologia, formando uma média de 8.500 profissionais/ano. Agora, em junho de 1999, contamos com uma média de 11.200 profissionais/ano. Para efeito comparativo, basta dizer que nos Estados Unidos, que possuem 273 milhões de habitantes, contra os 160 milhões do Brasil, existem apenas 46 cursos de odontologia. Lá, a renda per-capita é de 28 mil dólares, contra os cerca de 5 mil dólares do brasileiro.
Apresenta-se um contraste gritante entre os dados dos dois países, levando-se em conta que os Estados Unidos é considerado país do primeiro mundo. Este descomedimento de profissionais no mercado vai incidir diretamente em uma concorrência de honorários, que infelizmente será nivelada por baixo." Em Minas Gerais, segundo o Correio ABO, existem 19.643 dentistas registrados no Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG) e a cada ano cerca de dois mil novos profissionais saem das 14 faculdades existentes no estado. Só em Belo Horizonte são mais de seis mil profissionais, o que dá a média de um dentista para cada 318 pessoas, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera como ideal a média de 1.500 pessoas por dentista.
A professora Cristiane Leite endossa a opinião do secretário-geral do CFO, quando ressalta que "num mercado tão disputado, os recém-formados tem encontrado espaço em clínicas populares, que contratam uma grande quantidade de profissionais, sem carteira assinada, para procedimentos mais simples, como extrações dentárias. Nessas clínicas, os dentistas chegam a trabalhar 12 horas por dia, com baixa remuneração. Com isso, os valores referenciais de trabalho caem." É ela ainda que enfatiza: "As discrepâncias são tão grandes que chega-se a cobrar R$ 10 por uma restauração com resina, preço que uma manicure cobra para fazer pé e mão", compara.



